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DSM-IV
4ª Edição
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Dependência de Cannabis - 304.30

Transtornos por Uso de Cannabis

 

F12.2x - 304.30  Dependência de Cannabis

 

Consultar também o texto e os critérios para Dependência de Substância . Os indivíduos com Dependência de Cannabis têm um uso compulsivo e em geral não desenvolvem dependência fisiológica, embora a tolerância à maior parte dos efeitos da Cannabis tenha sido relatada em indivíduos que a utilizam de forma crônica. Também existem relatos de sintomas de abstinência, mas esses ainda não se mostraram clinicamente significativos. Os indivíduos com Dependência de Cannabis podem usar um tipo muito potente durante o dia inteiro, por um período de meses ou anos, e passar várias horas por dia adquirindo e usando a substância. Isso freqüentemente interfere na família, na escola, no trabalho ou em atividades recreativas. Os indivíduos com Dependência de Cannabis também podem persistir em seu uso, apesar de conhecerem os problemas físicos (por ex., tosse crônica relacionada ao hábito de fumar maconha) ou problemas psicológicos resultantes (por ex., sedação excessiva decorrente do uso repetido de altas doses).

 

Especificadores

 

Os especificadores seguintes podem ser aplicados a um diagnóstico de Dependência de Cannabis :

Com Dependência Fisiológica

Sem Dependência Fisiológica

Remissão Completa Inicial

Remissão Parcial Inicial

Remissão Completa Mantida

Remissão Parcial Mantida

Em Ambiente Controlado

 

F12.1 - 305.20  Abuso de Cannabis

 

Consultar também o texto e os critérios para Abuso de Substância . O uso e a intoxicação periódica com cannabis podem interferir no desempenho no trabalho ou na escola e ser fisicamente perigosos em situações tais como dirigir um automóvel. Problemas legais podem decorrer de detenções por posse de maconha. Pode haver discussões com o cônjuge ou com os pais acerca da posse da   substância em casa ou seu uso na presença de crianças. Quando existem níveis significativos de tolerância, ou quando problemas psicológicos ou físicos estão associados à Cannabis no contexto do uso compulsivo, um diagnóstico de Dependência de Cannabis, ao invés de Abuso de Cannabis, deve ser considerado.

 

Transtornos Induzidos por Cannabis

 

F12.00 - 292.89  Intoxicação com Cannabis

Consultar também o texto e os critérios para Intoxicação com Substância . A característica essencial da Intoxicação com Cannabis é a presença de alterações comportamentais ou psicológicas mal-adaptativas e clinicamente significativas, que se desenvolvem durante ou logo após o uso de Cannabis (Critérios A e B). A Intoxicação tipicamente inicia com um "barato", seguido de sintomas que incluem euforia, com risos inadequados ou idéias de grandeza, sedação, letargia, comprometimento da memória de curto prazo, dificuldade para a execução de processos mentais complexos, prejuízo no julgamento, percepções sensoriais distorcidas, prejuízo no desempenho motor e sensação de lentificação do tempo. Às vezes ocorrem ansiedade (que pode ser severa), disforia ou retraimento social. Esses efeitos psicoativos são acompanhados por dois ou mais dos seguintes sinais, desenvolvendo-se dentro de 2 horas após o uso de Cannabis: conjuntivas injetadas, aumento do apetite, boca seca e taquicardia (Critério C).

Os sintomas não devem ser decorrentes de uma condição médica geral nem ser melhor explicados por outro transtorno mental (Critério D).

A Intoxicação desenvolve-se dentro de minutos se a cannabis é fumada, mas pode levar algumas horas, se ingerida via oral. Os efeitos em geral duram de 3 a 4 horas, mas a atuação pode ser mais longa, quando a substância é consumida via oral. A magnitude das alterações comportamentais e fisiológicas depende da dose, do método de administração e das características individuais do usuário da substância, tais como taxa de absorção, tolerância e sensibilidade aos efeitos da mesma. Uma vez que a maioria dos canabinóides, incluindo o delta-9-THC, é lipossolúvel, os efeitos da cannabis ou do haxixe podem às vezes persistir ou apresentar recorrência por 12 a 24 horas, devido a uma lenta liberação das substâncias psicoativas do tecido adiposo ou para a circulação entero-hepática.

 

Especificador

 

O especificador seguinte pode ser aplicado a um diagnóstico de Intoxicação com Cannabis:

 

Com Perturbações Perceptuais. Este especificador pode ser anotado quando alucinações com teste de realidade intacto ou ilusões auditivas, visuais ou táteis ocorrem na ausência de um delirium. Um teste de realidade intacto significa que a pessoa sabe que as alucinações são induzidas pela substância e não representam a realidade externa. Quando as alucinações ocorrem na ausência de um teste de realidade intacto, um diagnóstico de Transtorno Psicótico Induzido por Substância, Com Alucinações, deve ser considerado.

 

Critérios Diagnósticos para F12.00 - 292.89 Intoxicação com Cannabis

 

A. Uso recente de cannabis.

 

B. Alterações comportamentais ou psicológicas mal-adaptativas e clinicamente significativas (por ex., prejuízo na coordenação, euforia, ansiedade, sensação de lentificação do tempo, prejuízo no julgamento, retraimento social) que se desenvolveram durante ou logo após o uso de cannabis.

 

C. Dois ou mais dos seguintes sinais, desenvolvendo-se no período de 2 horas após o uso de cannabis:

 

(1) conjuntivas injetadas

(2) apetite aumentado

(3) boca seca

(4) taquicardia.

 

D. Os sintomas não se devem a uma condição médica geral nem são melhor explicados por outro transtorno mental.

 

Especificar se:    Com Perturbações Perceptuais.

 

Outros Transtornos Induzidos por Cannabis

Os Transtornos Induzidos por Cannabis apresentados a seguir são descritos em outras seções do manual, juntos com os transtornos cuja fenomenologia compartilham: Delirium por Intoxicação com Cannabis, Transtorno Psicótico Induzido por Cannabis  e Transtorno de Ansiedade Induzido por Cannabis . Esses transtornos são diagnosticados ao invés de Intoxicação com Cannabis apenas quando os sintomas excedem aqueles habitualmente associados à Intoxicação com Cannabis e quando são suficientemente severos para indicarem uma atenção clínica independente.

Informações Adicionais sobre Transtornos Relacionados à Cannabis

 

Características e Transtornos Associados

 

Características descritivas e transtornos mentais associados. A cannabis é usada em geral com outras substâncias, especialmente nicotina, álcool e cocaína, podendo (especialmente a maconha) ser misturada ou fumada com opióides, fenciclidina (PCP) ou outras drogas alucinógenas. Os indivíduos que a utilizam regularmente freqüentemente relatam letargia física e mental e anedonia. Formas leves de depressão, ansiedade ou irritabilidade são vistas em cerca de um terço dos indivíduos que usam regularmente a cannabis (diária ou quase diariamente). Quando consumidos em altas doses, os canabinóides têm efeitos psicoativos que podem lembrar aqueles dos alucinógenos (por ex., ácido lisérgico dietilamida [LSD]), e os indivíduos que utilizam canabinóides podem experimentar efeitos mentais adversos que se assemelham a "viagens ruins" induzidas por alucinógenos. Estes últimos variam desde níveis leves a moderados de ansiedade (por ex., preocupação com a possibilidade de a polícia descobrir o uso da substância) até reações severas de ansiedade que lembram Ataques de Pânico. Também pode haver ideação paranóide, variando de desconfiança a francos delírios e alucinações. Episódios de despersonalização e desrealização também já foram descritos. Existem relatos de uma ocorrência mais freqüente de acidentes fatais de trânsito em indivíduos com teste positivo para canabinóides do que na população geral. Entretanto, a importância desses achados não está clara, já que o álcool e outras substâncias com freqüência também estão presentes.

Achados laboratoriais associados. Os testes de urina em geral identificam metabólitos de canabinóides. Uma vez que essas substâncias são lipossolúveis, persistem nos líquidos corporais por extensos períodos de tempo e são lentamente excretadas, os testes rotineiros de urina para canabinóides em indivíduos que usam a substância esporadicamente podem ser positivos por 7 a 10 dias; a urina de indivíduos com uso pesado de cannabis pode apresentar resultados apenas é consistente com um uso prévio; ele não estabelece Intoxicação, Dependência ou Abuso. As alterações biológicas incluem supressão temporária (e provavelmente relacionada à dose) da função imunológica e secreção suprimida de testosterona e hormônio luteinizante (LH), embora a importância clínica dessas alterações não esteja clara. O uso agudo de canabinóides também causa lentificação difusa da atividade de fundo no EEG e supressão do sono de movimentos oculares rápidos (REM).

Achados ao exame físico e condições médicas gerais  associadas. A fumaça da cannabis é altamente irritante para a nasofaringe e o revestimento brônquico e, portanto, aumenta o risco de tosse crônica e outros sinais e sintomas de patologia nasofaríngea. O uso crônico de Cannabis às vezes está associado com ganho de peso, provavelmente em decorrência do excesso alimentar e da redução da atividade física. Sinusite, faringite, bronquite com tosse persistente, enfisema e displasia pulmonar podem ocorrer com o uso crônico e pesado. A fumaça da maconha contém quantidades ainda mais altas de carcinógenos conhecidos do que o tabaco, sendo que o uso pesado pode aumentar o risco para o desenvolvimento de doença maligna.

 

Características Específicas à Cultura, à Idade e ao Gênero

 

A cannabis é provavelmente a substância ilícita mais usada no mundo inteiro. Ela tem sido consumida desde remotas eras, por seus efeitos psicoativos e como remédio para uma ampla gama de condições médicas. A cannabis está entre as primeiras drogas de experimentação (freqüentemente durante a adolescência) para todos os grupos culturais nos Estados Unidos. Como ocorre com a maioria das outras drogas ilícitas, os Transtornos por Uso de Cannabis aparecem mais freqüentemente em homens, e a prevalência é maior em pessoas entre 18 e 30 anos de idade.

 

Prevalência

 

Os canabinóides, especialmente a Cannabis, são as substâncias psicoativas ilícitas mais amplamente usadas nos Estados Unidos, embora a prevalência ao longo da vida venha diminuindo lentamente, conforme os números observados por levantamentos da década de 80. Um estudo comunitário realizado nos Estados Unidos em 1991 relatou que cerca de um terço da população havia usado maconha uma ou mais vezes em sua vida; 10% haviam usado a substância no ano anterior e 5% haviam usado a maconha no mês anterior. Uma vez que o estudo avaliava padrões de uso, ao invés de diagnósticos, não se sabe quantos daqueles que usaram maconha possuíam sintomas que satisfaziam os critérios para Dependência ou Abuso. Um estudo comunitário realizado nos Estados Unidos, de 1980 a 1985, utilizando os critérios mais estreitamente definidos do DSM-III, constatou que cerca de 4% da população adulta apresentava Dependência ou Abuso de Cannabis em algum momento de suas vidas.

 

Curso

 

A Dependência ou o Abuso de Cannabis geralmente levam um extenso período para se desenvolverem. Os indivíduos que se tornam dependentes tipicamente estabelecem um padrão de uso crônico, que aumenta gradualmente tanto em freqüência quanto em quantidade. Com o uso pesado e crônico existe, às vezes, uma diminuição ou perda dos efeitos agradáveis da substância. Embora possa haver um aumento correspondente dos efeitos disfóricos, estes não são vistos com tanta freqüência quanto no uso crônico de outras substâncias como álcool, cocaína ou anfetaminas. Uma história de Transtorno da Conduta na infância ou adolescência e Transtorno da Personalidade Anti-Social é fator de risco para o desenvolvimento de muitos Transtornos Relacionados a Substâncias, inclusive Transtornos Relacionados à Cannabis. Poucos dados estão disponíveis sobre o curso a longo prazo da Dependência ou do Abuso de Cannabis.

 

Diagnóstico Diferencial

 

Para uma discussão geral sobre o diagnóstico diferencial dos Transtornos Relacionados a Substâncias, ver p. 186. Os Transtornos Induzidos por Cannabis podem ser caracterizados por sintomas (por ex., ansiedade) que lembram transtornos mentais primários (por ex., Transtorno de Ansiedade Generalizada versus Transtorno de Ansiedade Induzido por Cannabis, com Ansiedade Generalizada, Com Início Durante Intoxicação).  O consumo crônico de Cannabis pode produzir sintomas semelhantes ao Transtorno Distímico. As reações adversas agudas à cannabis devem ser diferenciadas dos sintomas de Transtorno de Pânico, Transtorno Depressivo Maior, Transtorno Delirante, Transtorno Bipolar ou Esquizofrenia, Tipo Paranóide. O exame físico geralmente apresenta taquicardia e conjuntivas injetadas. A testagem toxicológica da urina pode ser útil para fazer o diagnóstico.

Contrastando com a Intoxicação com Cannabis, a Intoxicação com Álcool e a Intoxicação com Sedativos, Hipnóticos ou Ansiolíticos freqüentemente diminuem o apetite, aumentam o comportamento agressivo e produzem nistagmo ou ataxia. Os alucinógenos em baixas doses podem causar um quadro clínico semelhante à Intoxicação com Cannabis. A fenciclidina (PCP), como a cannabis, pode ser fumada e também apresenta efeitos alucinogênicos, mas a Intoxicação com Fenciclidina está muito mais propensa a causar ataxia e comportamento agressivo. A Intoxicação com cannabis é diferenciada de outros Transtornos Induzidos por Cannabis (por ex., Transtorno de Ansiedade Induzido por Cannabis, Com Início Durante Intoxicação), uma vez que os sintomas nesses últimos transtornos excedem aqueles habitualmente associados com a Intoxicação com Cannabis e são suficientemente severos para indicarem uma atenção clínica independente.

A distinção entre o uso da cannabis para fins recreativos e Dependência ou Abuso de Cannabis pode ser difícil, porque também é difícil atribuir os problemas sociais, comportamentais ou psicológicos à substância, especialmente no contexto do uso simultâneo de outras substâncias. A negação do uso pesado é comum, e as pessoas parecem buscar o tratamento para a Dependência ou Abuso de Cannabis com menor freqüência do que para outros tipos de Transtornos Relacionados a Substâncias.


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