Concepção, Gestação, Bebê e Infância
Casal e Família
Relações de Gênero
Sexualidade Humana
DST's & AIDS
Métodos Contraceptivos
Estresse & Ansiedade
Medos & Fobias
Saúde & Prevenção
Hábitos e Disfunções Alimentares
Qualidade de Vida
Neurociências
Dependência química
Farmacologia
Psicologia Organizacional
Psicologia Acadêmica
Psicologia do Trânsito
Ética & Legislação
Direitos e Declarações Universais
Instituições
Notícias
Indicações Bibliograficas
Utilidade pública
Normas e Responsabilidades
Sobre o Site



Marcos A. L. Renna - Contato: 2965-4042 / 98458-4892
Dependência química
Home » Dependência química » Tema

Influência do padrão de consumo do álcool e dos diferentes tipos de bebidas na doença coronariana
09/01/2005 - 15h28m

Influência do padrão de consumo do álcool e dos diferentes tipos de bebidas na doença coronariana
Roles of Drinking Pattern and Type of Alcohol Consumed in Coronary Heart Disease in Men

Mukamal, Kenneth J.
Conigrave, Katherine M.
Mittleman, Murray A.
Camargo, Carlos A. Jr.

New England J Med;348: 109-118, 2003.


 

Introdução

Ainda persistem muitas questões sobre o efeito do consumo do álcool na doença coronariana. Dentre estas, se encontram: tipos de bebidas consumidas, o padrão de uso do álcool e o consumo de álcool durante as refeições modificam o aparente benefício do consumo moderado de álcool sobre o aparelho cardiovascular? Além disto, a maior parte dos estudos avaliou apenas as quantidades de álcool ingerido e não o impacto do uso continuado do álcool e os efeitos das mudanças no padrão de consumo ao longo do tempo sobre o coração.

Embora o consumo de vinho tenha particularmente demonstrado diminuição do risco cardiovascular, revisões sistemáticas demonstraram diferenças quanto aos efeitos específicos da cerveja, vinho ou destilados.
Por outro lado, o consumo episódico de bebidas alcoólicas por períodos curtos, ou seja, de poucos dias, conferiu um alto risco para infarto agudo do miocárdio (IAM).
Poucos estudos também foram realizados para esclarecer a quantidade e freqüência do consumo de álcool isolado ou durante as refeições e suas relações com o coração.

A fim de tentar responder algumas destas questões os autores deste estudo analisaram os dados de um follow-up (seguimento) de 12 anos em profissionais de saúde.

Os autores estudaram a associação do consumo de álcool e o risco de infarto do miocárdio em 3.077 homens profissionais da saúde sem diagnóstico de doença cardiovascular ou câncer no início do estudo.

Foi verificado o consumo de cerveja, vinho tinto, vinho branco e destilados, avaliados a cada 4 anos através da aplicação de questionários. Os casos não fatais de infarto do miocárdio e doenças coronarianas foram documentados de 1986 a 1998.

Resultados

Durante os 12 anos de seguimento ocorreram 1418 casos de infarto do miocárdio. Comparado aos homens que consumiram bebida alcoólica menos do que 1 vez/semana, os homens que consumiram álcool de modo leve ou moderado, 3 a 4 ou 5 a 7 dias na semana, apresentaram diminuição do risco de infarto do miocárdio (risco relativo de 0.68 e 0.63 respectivamente). O risco foi semelhante ao se comparar homens que consumiram menos de 10g de álcool/dia e aqueles que consumiram 30 g ou mais.

Nenhum tipo específico de bebida demonstrou um benefício adicional nem se consumidas juntamente às refeições. Um aumento de 12,5g no consumo diário de álcool ao longo de um período de 4 anos foi associado a um risco relativo para infarto do miocárdio de 0.78.

Discussão

Dentre os 38.077 homens avaliados, o consumo de álcool esteve consistentemente associado a um menor risco de doenças coronarianas, independentes do tipo de bebida consumida ou se ingerida juntamente às refeições.

O padrão de uso do álcool demonstrou um importante efeito, os riscos para eventos coronarianos foram menores em homens que consumiram bebida alcoólica 3 ou mais dias por semana mesmo para quantidades pequenas a moderadas de álcool.
O consumo episódico de grande quantidade de álcool foi associado a um alto risco para desenvolvimento de doença coronariana em diversos estudos. Por exemplo, um estudo australiano desenvolvido pela Organização Mundial de Saúde (projeto MONICA - Monitoring of Trends and Determinants in Cardiovascular Disease), os homens que consumiram 9 ou mais drinks por dia comparados aqueles que não bebem tiveram 2 vezes mais chance de ter IAM, enquanto que os indivíduos que fizeram uso de 1 a 2 doses em 5 a 6 dias da semana a chance de ter um IAM foi bem menor (razão de chance =0.36).

Em contraste, os resultados encontrados pelos autores enfatizam que freqüência do consumo de álcool está inversamente associada ao risco de infarto do miocárdio. Estes resultados são concordantes com uma metanálise sobre consumo de álcool e infarto do miocárdio onde um consumo de pouco mais de uma dose de álcool a cada 2 dias apresentou um efeito benéfico sobre o coração.

O padrão de uso do álcool não influenciou os níveis de fibrinogênio, nem nos níveis de colesterol HDL, ou seja, do “colesterol bom”, mas teve um importante efeito sobre a pressão arterial em que consumos aumentados de álcool levaram a aumentos consideráveis da pressão arterial.
Revisões recentes mostraram que o consumo de álcool está principalmente associado a diminuição do risco de infarto do miocárdio em homens com mais de 45 anos e mulheres acima de 55 anos.

Os autores deste estudo encontraram uma diminuição do risco mesmo em homens entre 40 e 49 anos que já faziam uso moderado de álcool. Os autores referiram uma dificuldade em separar as associações entre quantidade e freqüência do uso de álcool com o risco de infarto agudo do miocárdio devido a correlação entre estas variáveis. Além disto, apenas 3,5% dos participantes do estudo referiram consumo superior a 50 g de álcool dia, o que limitou o estudo dos efeitos cardiovasculares do uso intenso do álcool.

Os guidelines recomendam que os clínicos tenham cuidado na interpretação de dados populacionais com relação à seu uso na prática clínica. Quando estes indivíduos procuram atendimentos de saúde, outros dados como efeitos do álcool sobre a saúde e a susceptibilidade individual aos efeitos do álcool devem ser considerados.
Os autores encorajam adultos a conversarem com seus médicos sobre o consumo apropriado do álcool, sem contar que quem não o faz não deve iniciá-lo apenas para obter estes efeitos sobre o coração, para tanto, outras atitudes como dieta, melhora da qualidade de vida e incremento da atividade física, podem ser tomadas.

Fonte: Site Álcool e Drogas sem Distorção www.einstein.br/alcooledrogas

Programa Álcool e Drogas (PAD) do Hospital Israelita Albert Einstein




Nome:

E-mail:

Telefone:

Dúvida:

Código de segurança (Repita o código):
 



Seu Nome:

Seu E-mail:

Nome do amigo:

E-mail do amigo:

Mensagem:

Código de segurança (Repita o código):
 


Home :: Eventos :: Dicionário :: DSM-IV :: CID-10 :: Contato               PsicNet - Todos os direitos reservados