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Dependência química
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Comportamento sexual de risco e DSTs em indivíduos que fazem uso preferencial de crack
09/02/2005 - 18h06m

Os autores investigaram a prevalência de DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) em 407 usuários de drogas participantes de três programas de tratamento para dependência no Texas.

Os autores compararam dois grupos: indivíduos cujo crack era a droga de preferência e indivíduos que utilizavam outras drogas.

Os dados indicaram que indivíduos que usavam preferencialmente o crack tinham índices significativamente maiores das seguintes características: raça negra tratamentos prévios para uso de drogas e maior número de marcadores para sífilis, chlamydia e herpes simples.

A preferência por crack também esteve associada a menores taxas de uso de drogas injetáveis ou compartilhamento de seringas e infecção por hepatite C. A preferência por crack em heterossexuais esteve associada a números significativamente maiores de parceiros nas quatro semanas anteriores ao estudo.

A análise para gênero e comportamento sexual associado ao uso de drogas, comparando aqueles que preferiam crack à outras drogas e aqueles que preferiam outras ao crack indicou que usuários de crack do sexo feminino praticavam significativamente mais sexo oral. Isto vai de encontro a dados anteriores em que o sexo oral se mostrou como uma modalidade de sexo comumente usada para troca por crack nos locais onde este é vendido.

Em 7.4% da amostra total (14.4% da amostra de indivíduos usuários de crack), foram descobertos casos de DSTs tratáveis. Estes dados sugerem que para os usuários de droga em geral e para usuários de crack em particular, DSTs devem ser tratadas como parte integrante do programa de tratamento da droga.

Introdução

A associação de crack (cocaína "fumável") com doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), inclusive HIV, já foi extensivamente documentada na literatura científica. O crack pode ser definido como a “cocaína dos pobres”, porém com um efeito muito mais curto e intenso. Esta associação sugere que as pessoas que usam crack sejam um grupo de alto risco para DSTs, e particularmente naqueles em que o crack é a droga de escolha. Os profissionais de saúde devem sempre checar a presença de DSTs em usuários de crack que estão em programas de tratamento de drogas a fim de evitar complicações e diminuir a disseminação destes doenças.


Os autores deste estudo procuraram programas de tratamento para dependentes de drogas com a finalidade de determinar o comportamento de risco e verificar a presença de DSTs em usuários de droga em tratamento. Foi dado enfoque aos indivíduos que preferiam o crack e estes foram comparados àqueles que preferiam outras drogas.


A co-ocorrência de HIV, cancro e uso de crack em grupos de heterossexuais residentes em Nova Iorque e a realização de práticas sexuais como forma de obter dinheiro ou droga foi relatada em outros estudos, confirmando as evidências africanas na associação de cancro genital com infecção por HIV. Um estudo realizado em Houston considerou: sífilis, infecção de HIV, raça negra, e sexo feminino como as variáveis mais significativamente associadas ao uso de crack.

Depois de revisar 16 estudos, Marx concluiu que as taxas crescentes de DSTs e HIV estão associadas ao uso de crack. Drogas trocadas por sexo e sexo por drogas demonstraram estar associadas ao uso de crack em quase todos os estudos (excetuando-se 1). Marx também reforçou que “o peso das evidências aponta para um risco sem igual”. As evidências sugerem que a associação de crack com a troca de sexo por dinheiro ou drogas uma vez estabelecido é o comportamento que relaciona de forma importante o uso de drogas às DSTs.

Baseman, Ross e Williams propuseram que drogas e sexo constituem a economia do submundo de áreas onde o desemprego é alto. Desta forma, eles concluem que modificações no padrão de uso de drogas e diminuições nas taxas de DSTs requerem modificações estruturais e econômicas do local.


Em um estudo prévio, realizado em Houston, os usuários de crack apresentaram alta prevalência de marcadores para infecções sexualmente transmissíveis entre eles: 13% para sífilis, 61% para herpes simplex, 11% para HIV, 53% para hepatite B (anti-HBc) e 42% para hepatite C (anti-HCV). Os autores então sugeriram uma categoria diagnóstica tripla coexistindo: abuso de droga, transtorno mental e DSTs. Este diagnóstico, segundo os autores, deveria ser levado em consideração no tratamento de abusadores de drogas, estendendo a descrição clássica de diagnóstico dual onde coexistem a desordem mental e o abuso de droga. Levando em conta o risco para DSTs, é particularmente importante considerar que o risco de HIV é ainda maior em indivíduos usuários de crack com DSTs.


Outro estudo, avalia a prevalência e correlata preferência para uso de crack em populações em tratamento de drogas no Texas.


Neste estudo, foram avaliados indivíduos de três locais do Texas: uma clínica de tratamento de droga em Lubbock, uma cidade do Texas ocidental com uma população de 250.000 pessoas e duas clínicas de tratamento de droga em Houston situadas em uma área metropolitana com uma população de mais de quatro milhões de pessoas.


Métodos

Foram coletados dados de pacientes admitidos para tratamento de droga em três clínicas do Texas. Os pacientes foram entrevistados no momento da admissão ou nas primeiras duas semanas do estudo e nas consultas consecutivas. As três clínicas possuíam pacientes que estavam internados, outros em tratamento ambulatorial e em tratamento de manutenção de metadona para pacientes específicos.

Tanto pacientes internados quanto pacientes externos foram convidados a participar do estudo. Não houve qualquer tipo de pagamento ou incentivo para participação. Todos foram informados sobre o propósito do estudo e assegurados da confidencialidade deste. Os que consentiram em participar preencheram um questionário e tiveram uma amostra de urina coletada. Um total de 407 indivíduos concordou em responder o questionário e prover amostras de sangue e urina.

A prevalência de HIV, hepatite B (HBV), hepatite C (HCV), herpes simples (HSV-2) e infecção de sífilis foi determinada em laboratório. Os respondentes que informam ser bissexual ou homossexual e tiveram práticas sexuais nas últimas quatro semanas (10 mulheres e 3 homens) foram excluídos da análise devido à pequena amostra para comparações estatísticas significantes.


Uma análise multivariada que usa um modelo regressão de logística foi realizada para determinar a associação das variáveis independentes associadas com preferência de crack


Os autores investigaram a prevalência de DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) em 407 usuários de drogas participantes de três programas de tratamento para dependência no Texas. Dois grupos foram comparados: indivíduos cujo crack era a droga de escolha e indivíduos que utilizavam outras drogas.

A associação de crack (cocaína "fumável") com doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), inclusive HIV, já foi extensivamente documentada na literatura científica. O crack pode ser definido como a “cocaína dos pobres”, porém com um efeito muito mais curto e intenso. Esta associação sugere que as pessoas que usam crack sejam um grupo de alto risco para DSTs, e particularmente naqueles em que o crack é a droga de escolha. Os profissionais de saúde devem sempre checar a presença de DSTs em usuários de crack que estão em programas de tratamento de drogas a fim de evitar complicações e diminuir a disseminação destas doenças.

Os autores deste estudo procuraram programas de tratamento para dependentes de drogas com a finalidade de determinar o comportamento de risco e verificar a presença de DSTs em usuários de droga em tratamento. Outros autores já haviam sugerido que as taxas crescentes de DSTs e HIV estariam associadas ao uso de crack visto que, no subúrbio de grandes centros urbanos, a troca de drogas por sexo e de sexo por drogas é uma prática comum.



Resultados

Como é freqüentemente observado nos serviços de atendimento a usuários de substâncias, a amostra era composta mais de homens do que mulheres, sendo que a maioria entre 25 e 44 anos. Mais da metade dos respondentes era solteiro, desempregado e tinha filhos.

Os autores recomendam que a vigilância de DSTs e o tratamento associado façam parte da rotina dos programas de tratamento de usuários de drogas, particularmente para usuários preferenciais de crack. 

Sexual risk behaviours and STIs in drug abuse treatment populations whose drug of choice is crack cocaine

Ross W*
Hwang LY
Zack C
Bull L
Williams ML

*WHO Center for Health Promotion and Prevention Research, University of Texas 

Fonte: Int J STD AIDS. 2002 Nov;13(11):769-74.

Estes achados reforçam o argumento elaborado por Ross de que as drogas de abuso (principalmente crack) e as DSTs são parte do mesmo problema, e o tratamento da população deveria abordá-los concomitantemente. Considerando que algumas práticas sexuais são mais prevalentes entre usuários de drogas, ao se tratar o abuso de drogas, haveria uma redução de algumas DSTs.
Outros estudos haviam mostrado que usuários de crack apresentam um número maior de parceiros sexuais e maior troca de drogas por sexo e sexo por drogas do que usuários de outras drogas. Os dados deste estudo não confirmam isto como também demonstram associações mais altas de DSTs entre indivíduos que fazem uso preferencial de crack.indivíduos usuários de crack, apresentaram maior número de parceiras quando comparados àqueles que tinham utilizado outras drogas. O crack, mais do que qualquer outra droga, esteve associado à economia do submundo dos centros urbanos, na qual drogas e sexo demonstraram ser a principal moeda de troca. Os indivíduos que faziam uso preferencialmente de crack tiveram uma prevalência significativamente mais alta de sífilis, chlamydia e herpes genital. É provável, então, que programas de tratamento para DSTs que também levem em consideração os locais de tratamento para indivíduos abusadores de crack tenham uma redução epidemiológica das DSTs. Discussão

De
acordo com os autores, os resultados deste estudo devem ser vistos com algumas ressalvas: Primeiro, as clínicas das quais a amostra foi estudada não representam necessariamente todas as clínicas de abuso de drogas, e os respondentes podem não representar a amostra de usuários de outras partes dos Estados Unidos. Segundo, as diferentes políticas das clínicas estudadas, como a Clínica Houston que trata os pacientes com DSTs na admissão, podem ter reduzido os níveis de DSTs observados. Finalmente, como os respondentes estavam em regime de tratamento de drogas, o comportamento sexual podem ter sido significativamente diferente do que se não estivessem em tratamento.

Na
amostra de usuários de drogas participantes de três programas de tratamento para dependência no Texas, 7.4% dos respondentes apresentaram DSTs facilmente tratadas como: sífilis, gonorréia ou chlamydia. Considerando aqueles que usavam preferencialmente o crack, esta porcentagem dobrou. Como também foram encontradas taxas elevadas de herpes e hepatite, o tratamento pode ter apresentado uma eficácia limitada em termos de redução da transmissão. Dado o fato de que mais de 20% dos entrevistados tiveram dois ou mais parceiros nas quatro semanas anteriores ao estudo, o tratamento pode ter resultado em uma redução significativa dos casos de DSTs. Um quarto da amostra disse ter vendido sexo por dinheiro ou drogas, e quase um terço pagou sexo com drogas ou dinheiro. Como poderia ser esperado, mais mulheres tinham vendido sexo que homens, enquanto mais homens compraram sexo, em troca de drogas ou dinheiro.Quase todos os respondentes (94.8%) tinham feito uso de bebidas alcoólicas em suas vidas. Uma maioria também tinha usado cocaína (82.3%), crack (65.4%), maconha (62.4%) e estimulantes (51.1%), principalmente anfetaminas.
Em mais da metade dos casos a droga de preferência foi a cocaína (24.8%) ou o crack (34.2%). Apenas 7.1% tinham feito uso de opióides. Menos da metade da amostra (45.5%) tinham feito uso de drogas injetáveis durante a vida e dos que fizeram uso, (79.5%) disseram ter compartilhado agulhas ou qualquer outro objeto de risco para a transmissão de doenças, incluindo o HIV. Cinqüenta e cinco por cento da amostra tinha história de tratamento prévio.




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