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Hábitos e Disfunções Alimentares
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Bulimia Nervosa*
09/12/2006 - 00h32m

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Definição: A Bulimia Nervosa  é caracterizada por episódios recorrentes do consumo excessivo de alimentos acompanhado por um sofrimento de perda do controle.  Os descontroles  levam a pessoa ao desconforto físico e emocional tais como:  Náuseas, dores abdominais, sentimentos de culpa, depressão ou ojeriza por si próprio.  Os pacientes com bulimia nervosa apresentam comportamentos recorrentes como purgação, vômitos auto-induzidos, uso de laxantes ou diuréticos repetidamente, jejum, exercícios físicos excessivos todos utilizados como forma de obter perda e peso.  

De acordo com o DSM IV (Manual de diagnóstico e estatística dos transtornos mentais – 4ª edição) no que se refere à bulimia nervosa, a compulsão periódica e os comportamentos compensatórios  devem ocorrer em média pelo menos duas a três vezes por semana, por um período mínimo de  três meses. Os indivíduos com bulimia nervosa normalmente avaliam a si mesmos com base na sua forma e peso corporal.  

O DSM IV, também apresenta  dois tipos de bulimia nervosa. O primeiro deles referindo-se ao tipo purgativo, onde o indivíduo provoca vômitos regulamente ou utiliza-se de laxantes ou diuréticos e o 2º tipo é a bulimia nervosa do tipo sem purgação, onde o indivíduo usa outros comportamentos compensatórios inadequados para evitar o ganho de peso, como jejuns freqüentes e a busca de uma atividade física excessiva como forma de obtenção da perda de peso, porém nesse tipo não há a realização da purgação.  

Epidemiologia:  A bulimia nervosa é mais prevalente que anorexia nervosa. As estimativas de bulimia nervosa variam de 1% a 3% das mulheres jovens. Assim como a anorexia nervosa, a bulimia nervosa também é significativamente mais comum em mulheres do que em homens e seu início ocorre mais freqüentemente durante o período da adolescência ou no início da vida adulta.  

A pesquisa clínica tem demonstrado que pessoas com  bulimia nervosa  e com  episódios  isolados de compulsão periódica e purgação,  vem ocorrendo mais freqüentemente,  em média de 40%, na população universitária e com  história de sobrepeso e ou obesidade.  

Etiologia:  Algum pesquisador  vem associando a compulsão periódica e purgação com alguns neuro-transmissores.  Tais pesquisadores afirmam que assim como os antidepressivos, às vezes beneficiam pacientes bulímicos, a serotonina e a noradrenalina também têm sua implicação. Tem se observado que os níveis de endorfinas plasmáticas geralmente estão elevadas em pacientes com bulimia nervosas, favorecendo o surgimento de sentimentos de bem-estar após a indução do vômito, sentimentos estes que podem ser mediados através do aumento dos níveis de endorfinas.  

Fatores Sociais:  Pacientes com bulimia nervosa  assim como os com anorexia nervosa tendem a serem  mais ambiciosos e respondem  socialmente às mesmas pressões em se tratando da sua magreza. 

Como ocorre com os pacientes anoréxicos, também pacientes com bulimia nervosa tendem a serem depressivos e possuem história de depressão familiar.  

Fatores Psicológicos.  Pacientes com bulimia nervosa, assim como os pacientes anoréxicos  apresentam maior dificuldade para absorver o período  da adolescência, embora os pacientes com bulimia nervosa tendem a ser mais extrovertidos, coléricos e impulsivos que os anoréxicos. Observa-se também que há maior incidência de abuso no uso de substâncias químicas e álcool, pequenos furtos e instabilidade emocional (incluindo-se  tentativas de suicídio). 

Os pacientes com bulimia nervosa , em geral, apresentam maior dificuldade no controle de seus impulsos que são mais freqüentemente manifestados por dependência de substâncias químicas e relacionamentos  sociais e sexuais autodestrutivos, além do descontrole alimentar excessivo e a purgação que são o marco desse transtorno alimentar.  Também não é incomum os pacientes com bulimia nervosa apresentarem história de separações e aceitação dos pais durante a infância.  Dessa forma, alguns pesquisadores acreditam que os pacientes bulímicos utilizam-se de seus próprios corpos como objeto de  transação desses conflitos não resolvidos.  Figurativamente  acredita-se que o ato de alimentar-se pode representar uma forma de unir-se  a figura dos pais assim como o  ato de regurgitar pode expressar a necessidade e o desejo de separação.  

Diagnóstico e características clínicas:  De acordo com o DSM IV  as características essências da bulimia nervosa são episódios recorrentes de compulsão alimentar periódica, com sentimentos de perda de controle sobre o ato de alimentar-se, vômitos auto-induzidos, uso de laxantes e diuréticos, dietas rígidas com a finalidade de perder peso, exercícios físicos excessivos e a preocupação excessiva com a forma e o  ganho de peso corporal. Em geral, a compulsão periódica precede os vômitos em cerca de um ano.  

Os vômitos freqüentemente são induzidos pela colocação do dedo na garganta, embora há relatos de pacientes que induzem o vômito em hora e local que desejados.  Os vômitos geralmente reduzem  a dor abdominal e a sensação de estar empanturrado, o que permite o paciente a continuar a alimentar-se  sem a preocupação excessiva de ganhar peso.  O processo depressivo que apresenta o paciente bulímico, geralmente é decorrente da angústia pós-comilança. Pacientes com bulimia nervosa tendem a concentrar sua atenção na busca de alimentos doces, ricos em calorias e geralmente com texturas lisas e macias, como massas, bolos, pudins entre outros e geralmente são ingeridos secretamente e, às vezes, não são mastigados de forma adequada.  Geralmente os pacientes com bulimia nervosa apresentam seu peso dentro do normal e dentro do esperado, embora,  também se observa que em  alguns  pacientes bulímicos podem estar acima ou abaixo do peso.

Os pacientes bulímicos preocupam-se coma imagem corporal e com a forma que as pessoas podem vê-los. Sexualmente falando,  os bulímicos são mais ativos sexualmente ao contrário dos pacientes anoréxicos. 
 

Os pacientes com bulimia nervosa do tipo purgativo, podem colocar sua saúde geral  em risco  decorrente de complicações médicas tais como:  Hipocalemia (baixa concentração de potássio), Esofagia  ( refluxo)  e fissuras gástricas provocadas por vômito e uso de laxantes e diuréticos.   

A bulimia nervosa ocorre em pacientes com índices altos de transtornos do humor e com descontrole dos impulsos,  sendo que também se encontram relatos em pacientes com transtornos relacionados a substâncias químicas e transtorno de personalidade, transtorno bipolar tipo I,  transtornos dissociativo e histórias de abuso sexual.  

Patologia e exames clínicos:  Não existe um exame específico para diagnosticar  a bulimia nervosa.  A bulimia nervosa geralmente pode resultar em  anormalidades eletrolíticas e vários graus de inanição. Faz-se importante  pesquisar  através de exames laboratoriais os níveis  eletrólitos e  metabólicos.  

Diagnostico diferencial:  O diagnóstico diferencial não pode ser concluído se os comportamentos de compulsão periódica e purgação ocorrerem  exclusivamente durante os episódios de anorexia nervosa.  O profissional da saúde também deverá estar seguro de que os pacientes com bulimia nervosa não possua uma doença neurológica, tal como: convulsões e epilepsia, tumores do sistema nervoso central, síndrome de kleine-Levin. 

Curso e prognóstico:  Pouco se sabe ainda sobre o curso da bulimia nervosa. A médio e longo prazo a bulimia  nervosa tem um prognóstico melhor que a anorexia nervosa.  Pacientes com bulimia nervosa, e capazes de se envolver com o tratamento de forma consistente têm relato uma melhora superior a 50%  na compulsão periódica/purgativa e com duração superior a 5 anos, embora os pacientes bulímicos não estão isentos da remissão de alguns sintomas durante esse período de melhora.  O prognóstico também está relacionado à severidade das seqüelas que a purgação tem deixado, como por exemplo:  desequilíbrios eletrolíticos, esofagites, amilasemia, aumento das glândulas salivares e cáries dentárias.  

Tratamento:  O tratamento da bulimia nervosa  consiste na adoção de várias intervenções incluindo:  Psicoterapia com enfoque cognitivo comportamental individual, em grupo  e familiar, Farmacoterapia e acompanhamento clínico médico.  A maioria dos pacientes bulímicos não necessita de hospitalização, também há uma maior facilidade no diagnóstico já que o paciente bulímico não mantém seu transtorno em segredo, ao  contrário dos pacientes anoréxicos, o que torna o tratamento ambulatorial  mais fácil.  A psicoterapia muitas vezes embora tempestuosa acaba por surpreender os pacientes bulímicos no que se refere  a maior e melhor compreensão de si e de seu processo.  Medicamento antidepressivo tem demonstrado ser um grande auxiliar no tratamento dos pacientes bulímicos, pois,  muitos deles reduzem a compulsão periódica e as purgações independentemente de outros transtornos associados como o transtorno do humor. 

Por: Marcos Antonio Lopez Renna 

Psicólogo Clínico

Contatos:  mrenna@psicnet.psc.br




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