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Hábitos e Disfunções Alimentares
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OBESIDADE: Um sintoma dos dias atuais.
16/08/2008 - 22h58m

Desde a antiguidade existem relatos e representações sobre a obesidade; porém, nos dias atuais isso já tomou proporções epidêmicas. Podemos ver representações desde o período Paleolítico e até no antigo Egito, Babilônia e Grécia. Por outro lado, a busca pela boa forma física também é antiga. Hipócrates (sábio grego que viveu entre 400 e 300 a.C.) orientava exercícios físicos para a obtenção de um corpo saudável. 

Atualmente, a busca pela sensação constante de bem estar e a cobrança por um modelo de beleza magro (ditado pelo modismo) motivam uma maior procura pelo tratamento da obesidade. Em pleno século XXI, a obesidade atinge todos os países, sendo um problema até mais grave que a desnutrição.  

A obesidade foi definida (Consenso Latino-Americano de Obesidade) como “um acúmulo excessivo de gordura numa magnitude ta que comprometa a saúde” (Loli, 2000). 

O desejo inicial de todo paciente em tratamento psicológico da obesidade é emagrecer e eles trazem no seu discurso todas as dificuldades que têm para atingir essa meta. É comum ouvirmos frases como “Estou dando murro em ponta de faca, porque eu tento, tento e não consigo emagrecer”. 

Devemos entender que a obesidade é a expressão concreta de um conflito psíquico/emocional; ou seja, a pessoa não consegue se resolver no nível emocional, isso gera angústia e ela acaba “descontando” na comida. Assim ela não tem que pensar no problema em si e ele se manifesta através da obesidade: quando se sente angustiada, a pessoa come; aí, sente-se culpada por comer e para se livrar da culpa, come mais....Ou seja: a pessoa não consegue resolver ou verbalizar o que sente e “engole” o conflito sem o superar ou trabalhá-lo. 

Essas pessoas não conseguem diferenciar seus sentimentos e sensações: comem e depois vêm que não era fome; era raiva ou ansiedade ou cansaço. Dessa forma, é comum misturar a sensação de fome com o sentimento de raiva, ansiedade ou medo. 

A comida representa, dessa forma, o mesmo incoveniente do vício pelo álcool ou drogas. Uma tentativa mais saudável para não comer tanto é procurar fazer alguma outra atividade, como um curso de trabalhos manuais, por exemplo. Isso pode se revelar como um preenchimento mais criativo e gerador. 

Existem dois tipos distintos de fome:

1-           Fome pelo alimento = saciedade física.

2-           Fome pelo que o alimento representa = saciedade psíquica. 

A obesidade está mais relacionada à saciedade psíquica e podemos observar um grau elevado de ansiedade nessas pessoas que as impede de saborear momentos da vida, como também torna o fato de esperar extremamente angustiante. Existe a necessidade de querer dar conta de tudo e “engolir” tudo. 

Essa ansiedade por “abraçar o mundo” está presente na relação da pessoa com a comida, com o companheiro(a), filhos, trabalho, etc. Não entendem que a vida é feita de escolhas e que quando fazemos a opção por alguma coisa, temos que deixar algo para trás. Com a comida é a mesma coisa; ou seja, não dá pra comer tudo e de uma vez só. 

A incapacidade em estabelecer prioridades gera um stress que muitas vezes pode ser definido pelos pacientes como: “Eu arrumo sarna pra me coçar”. 

O psiquismo desses pacientes funciona de maneira que eles não conseguem usar os pensamentos como forma de enfrentar e até resolver os seus próprios conflitos. Assim, diante de qualquer situação de ansiedade ou dor psíquica usam o ato de comer como um recurso capaz de resolver ou aliviar o desconforto que acompanha essa situação, mesmo que apenas temporariamente. 

A dinâmica de funcionamento do paciente obeso consiste na satisfação imediata dos seus desejos e diante da impossibilidade de satisfazê-los recorre à comida. Com a terapia, eles descobrem que a realização dos seus desejos cabe somente à eles e com o amadurecimento emocional vem o sucesso do tratamento, pois o paciente consegue deixar “a vida correr mais solta”, sem a necessidade de dar conta de tudo e se ocupando de tudo. 

É importante salientar que o trabalho psicoterápico é feito de forma lenta e gradual, pois muitas vezes o desenvolvimento da obesidade está ligado a fatores que ocorreram durante toda a vida desses indivíduos.  

Durante o processo terapêutico, o paciente aprende a estabelecer prioridades e descobre o que quer e o que não quer; o que serve e o que não serve para a sua vida e dessa forma passa a reconhecer o alimento como fonte de energia para uma vida saudável (e não como solução para seus conflitos e ansiedades) e consegue estabelecer formas de comportamento mais adequadas para ser mais feliz.

Por: Luciana dos Santos Manesco           
Psicóloga Clínica

Contatos: luccy45@uol.com.br

 

Referências Bibliográficas

LOLI, M.S.A. Obesidade como Sintoma, Vetor, SP, 2000

MANUAL, diagnóstico e estatístico de transtornos mentais, DSM IV, 1995

CORDIOLI, A.V., Vencendo o Transtorno Obsessivo-Compulsivo, RS, 2004




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