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Relações de Gênero
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“Metrossexual” – O novo homem?
Marcos Antonio Lopez Renna
06/03/2020 - 17h30m

Nos últimos anos, tem se intensificado a discussão em torno do gênero masculino. O termo gênero (gender em inglês), foi introduzido no século XX como forma de definir as diferenças  entre os sexos.

Segundo MURARO & BOFF (2002), falar de gênero é:

Falar a partir de um modo particular de ser no  mundo, fundado, de um lado, no caráter biológico do nosso ser, e, de outro, no fato da cultura, da história, da sociedade, da ideologia e da religião desse caráter biológico”.

O tema metrossexual não nos remete à discussão sobre a identidade de gênero e sim  para a reflexão sobre os papéis de gênero.

Quando nos voltamos para tentar compreender os papéis de gênero, inevitavelmente, pensamos  em questões intimamente ligadas, aos padrões bio-psico-sócio-culturais e suas representações dentro de uma dada sociedade. É importante  considerar, que a discussão em torno do papel de gênero vai além  das diferenças do masculino e feminino;  reflete a maneira como são construídos, divididos e difundidos os valores e atributos sociais e sexuais de um indivíduo.

A discussão em torno do tema gênero, não data de hoje. Segundo SPENCER (1996). “Desde 1700, tem havido uma crescente necessidade de se ressignificar os termosmasculino” e “ femininopara não mais vê-los como possuidores de qualidades que opõe um e outro. Nossa interpretação de macho e fêmea vêm do período em que o macho era o agressor e a fêmea, uma dócil receptora. Esses estereótipos são  utilizados  para julgar pessoas e sustentar  leis primitivas.”

O final do século XVII e o Século XVIII, foram palco de grandes acontecimentos  históricos tanto sociais quanto políticos. A revolução burguesa na Inglaterra (1688),   na França (1789) e a guerra de independência Americana ( 1778), foram precedidos por vários movimentos de idéias filosóficas, que debatiam as ciências, a religião, a  política e a ética que influenciaram a nova maneira de pensar e de viver. Os temas literários da época iniciavam  movimentos com a finalidade de exaltar a Mulher, destacando sua delicadeza em oposição ao comportamento agressivo e brutal do homem.  Através desses movimentos literários, a mulher  começa a defender  idéias e ideais, e passa a invadir uma área até então privativa dos homens.  Nessa época, os movimentos literários deram a mulher  o direito de serem reconhecidas como  seres intelectuais.

Durante a época Vitoriana [1], o paradigma em vigor  sustentado para  masculino e  feminino era baseado  na separatividade, onde  eram reservados atributos  a cada um dos seres. Para o masculino,  vigoravam as características como: agressividade, lógica, dominação, competitividade e racionalidade, sendo que,  sua função na sociedade, era exclusivamente a de atuar no mundo público, buscando recursos financeiros e intelectuais  na tentativa de manter  o desenvolvimento social. para o feminino, ficavam reservados os atributos relativos à passividade, submissão, cooperação, intuição, afetividade e emotividade, e a função primeira da mulher,  era a de manter a sociedade privada (família), cuidar da prole, de enfermos e dos idosos (função caracteristicamente assistencial) além de dar  atendimento às necessidades básicas e íntimas do parceiro.

Nessa época o padrão familiar era a  família patriarcal, a imagem da mulher ficava vinculada a sujeição total do homem, e o cristianismo fazia prevalecer à união entre o homem e a mulher advinda da necessidade natural de ligarem-se um ao outro. Nesse contexto a Mulher gozava  do direito de ter respeito social e certa autonomia e assim se estabeleceu a  sociedade monogâmica.

Portanto, se for analisado, os atributos destinados a cada individuo na  época Vitoriana,  fica-nos claro,  a  predominância da atividade masculina e a passividade feminina,  que deu ao masculino o poder da dominação

Com o advento da revolução industrial e dos movimentos feministas, a partir da década de 60, a mulher,  deixou de representar o papel feminino até então exercido exclusivamente  no âmbito do lar, para exercê-lo também na vida pública, deixou de seguir o padrão  estereotipado da época, e passou a   exigir maior participação   na sociedade através do trabalho, do exercício da sexualidade, do controle da natalidade e  da maior liberdade de expressão. A mídia sem dúvida foi um grande marco desse movimento que deu a mulher à oportunidade de  representar a feminilidade,  através de programas voltado para a discussão de sexo, moda, e beleza. Com isso iniciou-se o processo de derrubada de preconceitos e valores perpetuados pelo poder do patriarcado,  dando início a um processo constante de  evolução na significação dos valores femininos,  começaram a surgir novos padrões de pensamentos, comportamentos e atitudes,  seguido por novos modelos de constituição familiar,  fazendo com que as instituições absorvessem o novo padrão.

Diante dos movimentos feministas ocorridos nas últimas décadas, tem-se tentado mudar a visão dos comportamentos dentro da chamada relação de gênero.  As mulheres,  que até então desempenhavam um papel desconfortável, estereotipado e repleto de desigualdades, buscaram uma nova possibilidade de  vivenciar o papel feminino, e com isso, procuram reverter o prejuízo de muitos anos.

A partir da evolução social e da  interferência da representação dos papéis de gênero feminino, o homem  visualizou que algo mudou, passou a ter dificuldade  em interpretar e exercitar seu papel. A sexualidade, o afeto, o trabalho, o casamento e a família têm exigido novos conceitos, novos valores e novas atitudes, e com isso passou a ser o palco de grandes questionamentos a partir do final do século XX.

 NOLASCO (1995), SILVA (2001) e CUSHINIR (2001) apontam para uma “crise masculina”,  uma “perda de identidade”, fruto da decadência do poder do “ser masculino”.

Desvestir a fantasia de super-homem infalível  para muitos homens  não tem sido sinal de perda de poder. É fato que nunca se falou e estudou tanto sobre o masculino  e  o  impacto de suas transformações dentro dos papeis de gênero como nos dias de hoje, Tal transformação  faz surgir um novo termo que vem dando o que falar na imprensa escrita e falada, os mais variados meios de comunicação  apresentam  e discutem  novo homem”. O “Metrossexual”.

 O termo foi usado pela primeira vez em 1994 pelo escritor e publicitário gay Mark Simpson, no artigo " vêm os homens do espelho", publicado pelo jornal britânico "The Independent". O novo termo, passou  anos na gaveta para ganhar força total nos últimos meses. Pesquisadores  do assunto  atribuem a rápida popularização do termo “ metrossexual”, aos homossexuais.  O seriado, "Queer Eye for the Straight Guy", que em português pode ser traduzido como "O Olhar Gay para o Cara hétero", exibido aqui no Brasil pelo canal pago Sony intertendiment.  A série lançado em 2003 é uma espécie de "reality show" em que cinco homossexuais especializados em moda, decoração, cultura, comida e vinhos  discutem  sobre a necessidade do homem heterossexual melhorar seu estilo, sua aparência e reavaliar seus conceitos, o programa mostra que é possível  transformar um sujeito heterossexual em um "novo homem", através da mudança de novos hábitos, novos comportamentos e novas atitudes.

 Os representantes da metrossexualidade consideram importante manterem-se atualizados com as tendências da moda. Estar bem vestido, ter a  pele bem cuidada, Freqüentar manicure, freqüentar bons lugares e shopping centers,  manter-se  sempre elegante, ter uma boa aparência,  são regras básicas para ser um metrossexual e ser bem recebido, impressionar o chefe, o cliente, a namorada.  Nos dias de hoje não é incomum encontrarmos Spas urbanos e academias  sofisticadas onde  cada vez mais  homens se dão  o direito de ter uma vida  mais plena, mais regrada e mais saudável. Outra característica desse “ novo homem” é que ele também, se preocupa com a família, com os sentimentos e com os afetos.

 A  imprensa Norte Americana  define os traços desse novo homem   como sendo: um  Homem , heterossexual,  moderno e urbano, tão  vaidoso quanto as  mulheres. e segundo ela, O termo "metrossexual", e uma designação fashion-mercadológica para o homem das grandes cidades.

 Interessados no dinheiro dessa parcela significativa do mercado a Euro RSCG, realizou pesquisa e concluiu que: os homens vaidosos gastam cerca de 30% de sua renda para manter sua vaidade masculina e declara que essa nova  tribo pode unir até 15% dos homens desta faixa etária nas grandes cidades.

 Como todo movimento  esse não poderia deixar de ter seu  jeito de vanguarda.   David Backham, jogador do Real Madri e da Seleção Inglesa de futebol, e o ator Brad Pitt,  são apontados como verdadeiros ícones,  representantes da metrossexualidade, onde o cuidado com a aparência da à  masculinidade um ar de delicadeza  quase feminina,  e a forma  impecável de se apresentar  não fere a masculinidade.

 Atualmente muitos homens vêem se libertando de tabus que foram  impostos e se mantiveram intocáveis até meados dos anos 60, passou a conquistar espaços e a adquirir  maturidade  para interpretar a masculinidade, adquiriu também a  tranqüilidade para utilização de produtos de beleza e procedimentos clínicos que o possibilitam  a melhorar sua aparência e postergar o envelhecimento.

Com o  aumento na utilização de  cosméticos e procedimentos  cirúrgicos, o setor de beleza masculina movimenta hoje cerca de R$ 800 milhões de reais por ano. A afirmação de que homens não fazem compras não passa de um mito. Em época de crise econômica, nada como  criar um rótulo, um clichê que possa  impulsionar produtos considerados supérfluos. Editoras de jornais e revistas, agências de publicidades, agências de viagens, indústrias da moda e cosmética, estão investindo muitos dolares em marketing especificamente para o  mundo  masculino. Há vários anos  essas empresas vem se utilizando da publicidade para  convencer e converter clientes a serem homens modernos,  induzindo-os ao cuidado com sua aparência, com seus hábitos e comportamentos,  e o faz,  em nome de umnovo homem” , um homem que ganha  dinheiro  e gasta muito dinheiro consigo mesmo, um homem que acredita que não deve passar desapercebido e que  não deve sentir-se ameaçado quanto a  sua identidade sexual. É a  representação do “novo homem”. 

 O interesse pela metrossexualidade vai além da das aparências  uma pesquisa feita pela Dow Jones ( empresa Norte Americana), mostra que no ano de 2003 foram produzidas cerca de 470 reportagens sobre a metrossexualidade em todo o mundo. Mostra também  que a metrossexualidade é um fenômeno que ocorre quase que exclusivamente nos grandes centros urbanos e está se tornando um movimento que poderá ser o primeiro gesto real de regressão do machismo, na figura do homem.

 Dados estatísticos mostram a trajetória desse novo homem:

 

Recentemente uma pesquisa Brasileira2  , procurou obter informações sobre a preocupação do homem brasileiro com sua aparência e  chegou  aos seguintes resultados:

 82% acham importante ter a pele bem cuidada

 80% gastam mais de cinco minutos diários com a aparência

 78% acham importante ter o corpo esbelto

 72% se pesam regularmente

 68% acham certo fazer cirurgia  plástica somente por estética

 25% fizeram dieta

 5% fizeram cirurgia plástica

 Uma pesquisa norte americana, que ouviu 519 britânicos e o mesmo número de norte-americanos, concluiu que: 49%  dos homens acham perfeitamente normal um homem fazer limpeza de pele e manicure e 39% dos entrevistados aprovam a cirurgia estética  masculina. Os homens pesquisados, diziam se sentirmásculos” desempenhando papéis tradicionalmente femininos, Os homens também admitiram que lhe dava  enorme prazerfazer compras.  

 Nos estados Unidos 35% dos homens ao responderam uma pesquisa disseram comprar regularmente cremes anti-envelhecimento e,  observa-se que entre 2001 e 2002, o número de lipoaspirações feitas  no gênero Masculino cresceu 420%.

 No Brasil, o número de cirurgias plásticas realizadas em homens subiu de 10% do total para 30% em cinco anos.

 Grandes laboratórios brasileiros chegaram a vender no ano de 2002 quase o mesmo número  de produtos  masculinos  que os femininos.

 Pesquisas também comprovam que o  número de lojas  especializadas em roupas masculinas   cresce  vertiginosamente,  chegando em algumas cidades a estar muito próximo da quantidade de lojas de roupas femininas.  

 Segundo o autor norte americano Alon Gratch ( 2003) do livro “Se os homens falassem”, “o que está acontecendo é uma  nova incursão masculina pelo universo feminino em quase todos os seus domínios e que o mais evidente deles é  obviamente o da aparência. Também afirma que  essa incursão não se limita apenas as questões de estética, pois acredita ele que a transformação é mais profunda e que o homem começou a admitir que é sensível, tem emoções e as esconde cada vez menos.  Além de sentir-se  mais a vontade com suas preferências estéticas e valoriza-la com mais desembaraço o aspecto afetivo na relação com a família e os amigos está mais evidente.

 Gratch (2003) afirma que: “O que se define agora como metrossexualismo é o resultado da exploração  corajosa que alguns homens fazem de seu lado feminino sem serem gays e sem medo de serem  confundidos com  Gays.”

 Como é de se esperar, qualquer ressignificação de conceitos  e comportamentos l quase sempre acaba tendo um ar de  rótulo”. Porém no caso da metrossexualidade  pode esconder algo mais  complexo e onipresente, como o desenvolvimento de uma sensibilidade, que até então estava adormecida. É natural que tempos de globalização novos traços e atitudes comportamentais  surjam nas grandes metrópoles através da propaganda e marketing  que acaba chegando á cultura e espalhando-se pelo  mundo em forma de movimentos.  Porém a novidade agora é a velocidade e a forma com que isso acontece.

 Assim como  a libertação feminina que se arrastou  por um século até que as mulheres conquistaram o direito de  votar, fumar em público, escolher o marido, exigir prazer na cama e dirigir automóveis, acredita-se da mesma forma a libertação masculina também vai demandar  tempo até sua total emancipação.

[1] - A época Vitoriana compreende a época do reinado da rainha Vitória (1837 a 1901), nessa época os padrões de comportamento, gostos e atitudes morais  eram demarcados pelo puritanismo e pela intolerância.

  

  

Por: Marcos Antonio Lopez Renna
        Psicólogo e Terapeuta Sexual
        CRP nº 21.740-06

Contatos:  E-mail:  rmrenna@psicnet.com.br  
                  Website: www.psicnet.com.br

 




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