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Dependência química
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Drogas que causam dependência
02/05/2004 - 02h52m

Há numerosas substâncias (drogas ou fármacos) utilizadas até mesmo em terapêutica que provocam vício, com dependência física e/ou psíquica. Dar-se-à ênfase à maconha e à cocaína, usadas também, em terapêutica humana, respectivamente nas naúseas e vômitos associados à quimioterapia e como anestésico (cocaína). O enfoque será o uso da maconha e da cocaína como "drogas de rua"
ou "drogas de abuso" e suas monitoragens através do laboratório clínico.

MACONHA (Alucinógeno)

Etimologia – Sinonimias

O vocábulo português maconha é de origem africano-ma"haña- designando a planta Cannabis satiba. Nas línguas espanhola e inglesa é chamada de marijuana (Maria e Juana) e em árabe e depois na França é conhecida como haxixe, nominando a planta.

No nordeste brasileiro é conhecida pelos termos: "fumo-de-caboclo" e "fumo-de-angola".
Na linguagem científica é empregado o termo TETRAHIDROCANABINOL (THC), pois os isômeros desta substância compõem a grande maioria dos compostos químicos encontrados na maconha.
Há sinonímia vasta, mas os destacados são, de modo geral, oa mais utilizados.

Fatores Facilitadores do Vício

Os adolescentes viciados em maconha têm problemas nas relações interpessoais. Usam a maconha geralmente para dasafiar as autoridades (pais, professores, sistema social) ou para abafar suas dificuldades particulares na vida.

Decréscimo do Vício: HALIKAS e col., 1984, descreveram 2 fatores socioambientais correlacionados com a redução/supressão do uso da maconha: casamento e formação de novas amizades entre não-aditos. Estes fatores são sinais do fim de rebeldia e dos desajustes!

A Epidemiologia do Vício

 Há diferenças entre nações e regiões. No Egito e na China o uso do haxixe era social. Foi combatido violentamente pelos regimes ditatoriais modernos destes países.
O quadro nos Estados Unidos repete-se em alguns países ocidentais: 60% da população provou maconha pelo menos uma vez; 8% transformaram-se em usuários regulares. Dentre os usuários são importantes os ESTUDANTES.

Manifestações Clínicas

As manifestações de maconha são variáveis. A obtenção de droga provoca muitas diferenças entre os produtos e até mesmo contaminação com inseticidas, herbicidas, etc., com quadros tóxicos próprios e somatórios. As vias de absorção são: respiratória (fumo, a mais frequente); oral (bolos) e venoso. O cronograma das manifestações depende da via absortiva: com o fumo e I.V. os primeiros efeitos surgem em segundos e duram até duas a três horas; por via oral os efeitos aparecem em 30 min - 2 horas e mantêm por até 3 a 5 horas. É possível identificar, pessoas que inalaram passivamente (só companhia) o THC, através da urina.
Há congestão vascular das conjuntivas (sinal usual) sem variação dos diâmetros pupilares.

Há taquicardia, porém o ritmo respiratório e os reflexos osteotendinosos são normais. Há queda discreta da temperatura corporal e redução da força muscular.
O adito pode conservar o as sóbrio e após o efeito da maconha não há ressaca.
O viciado procura atingir a fase de alucinação, geralmente agradável com fundo sexual ou outro.
Há loquacidade e hilariedade sem motivo e incontroláveis; idéias fugazes e incoerentes; perda da atenção e da memória imediata; impressão de minutos parecerem horas e objetos próximos parecerem distantes; sensação de maior vigor físico e de fome; queda da habilidade manual e rapidez de cálculo. Há sintomas, menos frequentes, não predizíveis: pânico agudo, hostilidade, depressão, etc. (HOLLISTER, 1986 e AGURELL, 1986).

Rastreio Laboratorial

A maconha produz no organismo mais de 2.000 metabólitos identificáveis. Esta coleção de isômeros do THC é depositada no tecido adiposo e, a seguir, é liberada para a circulação, sendo eliminada pelas fezes e urina.
A concentração urinária reflete apenas presença ou ausência de THC, não tendo correlação com a intensidade das manifestações clínicas. A excreção do THC persiste durante 3 a 6 semanas. Os métodos mais empregados para a identificação dos THC baseiam-se em imunoquímica: radioimunoensaio (RIE), enzimaimunoensaio (EIE), e a polarização por fluorescência (FPIA).
Não há falso-positivos, porém estes processos analíticos não distinguem entre THC ativo e inativo, com suas gradações.
No SAE usamos o RIE com método de triagem ou rastreio, muito útil no ponto de vista médico e social.

São aceitos como resultados positivos os teores de 0.1ug/ml ou superiores. Porém, não é teste usado isoladamente para uso forense nos Estados Unidos. Nestas aplicações forenses exige-se também, um teste confirmatório, baseado em princípio metodológico diferente (não imunoquímico como o RIE, EIE, FPIA). Naquele país, para esta finalidade são utilizados como métodos confirmatórios as cromatografias, em especial a gasosa com espectroscopia de massa (GC-MS).


Espécime

A urina em amostra isolada deve ser colhida em frasco de vidro, sob supervisão. É estavel em congelador (-20 O C) durante pelo menos 4 meses.

Etimologia - Sinonimias

O vocábulo cocaína é originário do quichua, falado pelo povo indígena dos altiplanos andinos. A cocaína é extraída das folhas de Erytroxylon coca que contém até 1.5% de cocaína por peso de folhas. Este arbusto é nativo, principalmente no Perú e na Bolívia.

A cocaína era de uso limitado. Em 1986, WASHTON e col, mostraram que o emprego de base-livre de cocaína, tornando-a possível de ser absorvida pelo fumo (cigarros ou cachimbos) incrementou seu uso como "droga recreacional". É o "crack" (craque).

Obtenção da Cocaína

As folhas do Erytroxylon são secas e, a seguir, trituradas. O clorofórmio é ótimo extrator de coca. O extrato seco do clorofórmio é vendido nas ruas

A Epidemiologia do Vício

Nos Estados Unidos são usuários da cocaína 12% da população. São, contudo, cocainomanos 2% da população. Em aplicações médicas, anestesia tópica, a cocaína é apresentada em soluções: para uso oftálmico - 1 a 4%; para anestesia de nariz e garganta - 10 a 20%. Como "droga de rua" varia entre 10 a 120 mg por dose.

Espécime

A urina em amostra isolada deve ser colhida em frasco de vidro, sob supervisão. É estavel em congelador (-20 O C) durante pelo menos 4 meses.

Manifestações Clínicas

Os usuários da cocaína procuram no seu emprego os efeitos estimulantes: euforia e sensação de bem-estar; sensação de aumento do vigor físico e da agilidade psíquica; redução do limiar da dor. Portanto, há melhora do humor e aumento da atividade física. Há redução de fome. Para manter este nível sintomático o usuário chega a usar uma dose a cada 10/10 min.
Há alguns sinais físicos que acompanham o quadro: palidez (pela vasoconstrição), hipertensão arterial, sudorese, pupilas dilatadas, tremores. Após esta fase de excitabilidade segue-se uma depressão e a tentativa/uso de nova dose para revertê-la (JONSSON, S e col., 1983).

Dose Excessiva

A "overdose" pode provocar a morte do adito por parada respiratória, miocardiopatia isquêmica (até infarto), arritmias ventriculares e estado epiléptico.
A atividade vasoconstritora da cocaina pode provocar insuficiência coronária, isquemia cerebral localizada e acidente vascular cerebral.

A cocaína é rapidamente hidrolisada no organismo em metabólitos ativos e inativos, com destaque ao inativo benzoilecgonina eliminado na urina (25 a 54% da dose).
O SAE emprega para verificação da cocaínao RIE que determina a benzoilecgonia, muito específico e permitindo diferenciar entre a cocaína negativos e positivos, estes iguais ou superiores a 0.3ug/ml na urina (CONE e MITCHELL, 1989).
O teor urinário de benziolecognina varia com via de administração, dose e horário de coleta:

Nasal - 1.5 mg/kg  

4h = 35.0 ug/ml

48-72h = 0.4ug/ml

 

1 copo de chá de coca - 2.2 mg

2h = 1.3 ug/ml 

29h = 0.1 ug/ml

 

Oral - 25 mg

6-12h = 7.9 ug/ml 

48h = 0.4 ug/ml

Espécime

Urina recente colhida sob supervisão e identificada com número de referência, nome, data e hora. Deverá se mantida em geladeira (4 a 8oC) até ser analisada.
Antes, homogenize e filtre. Para maior estabilidade congele em alíquotas contendo 100 a 200 ul, com todos os dados de identificação.


Refefências de Maconha e Cocaína

 

Fonte/ Autor:  Adam Macedo Adami - Farmacêutico Bioquímico - Hospital Regional/MS


1- AGURELL, S.: Pharmacol. Rev. 38: 21-43, 1986.
2- BASELT, R. C.; CHANG, R.: J. Anal. Tox. 10: 256, 1986.
3- CONE, E. J.; MITCHELL, J.: J. Foren. Sci. 34: 32-45, 1989.
4- ELSOHLY, M. A. E col.: J. Anal. Tox. 10: 256, 1986.
5- HALIKAS, J. e A. e col.: Compre. Psychiatry 25: 63, 1984.
6- HAMILTON, H. E. e col.: J. Foren, Sci 22: 697, 1977.
7- HAWKS, R. L. e col.: NIDA Research Monograph 73
Rockville, Maryland, National Institute of Drug Abuse, 1986.
8- HOLLISTER, L. E.: Pharmacol. Rev. 38: 1-20, 1986.
9- JONSSON, S. e col.: Am. J. Med. 75: 1061, 1983.
10- WASHTON, A. M. e col.: JAMA 256: 711, 1986.




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