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Orgasmo feminino: uma conquista da mulher.
Paulo Geraldo Tessarioli
06/05/2013 - 15h40m

           Vivemos numa sociedade democrática, onde a igualdade de direitos entre homens e mulheres é um fato. Porém, as mudanças não ocorrem de uma hora para outra. Falar de sexo como se fala hoje, há pouco tempo atrás, era algo inimaginável. Da mesma forma, a mulher simplesmente pensar em ter prazer na cama era algo fora de cogitação, uma vez que esse direito era reservado apenas ao homem.

 

Em contrapartida, saímos de um extremo e fomos para outro. A era atual pode ser batizada como a “ditadura do orgasmo” – se a mulher não sente prazer na cama, algo está errado. Mas não é assim que deve ser? Digamos que não é bem assim. Ir para cama pensando exclusivamente em ter orgasmo, se preocupando antecipadamente com ele, é que está errado.

A cobrança interna para ser “boa de cama”, a qual a mulher atualmente vem se submetendo – antes apenas coisa de homem, é a causa número um da dificuldade em se obter orgasmo, conhecida tecnicamente como anorgasmia. Então ser “boa de cama” é ruim? Se a mulher entender que esta condição é de sua responsabilidade, a resposta é não.

O que geralmente acontece é que responsabilizamos o outro quando as coisas não ocorrem do jeito que deveriam. Com isso, queremos dizer que a pessoa com a qual nos relacionamos sexualmente não tem nenhuma responsabilidade com o nosso próprio prazer na cama, no máximo o que pode acontecer é que esta pessoa colabore, participe, mas não dê o orgasmo (como presente) para o outro.

Uma coisa é certa, a mulher que consegue atingir o orgasmo sozinha, através da masturbação, conseguirá o mesmo quando estiver com alguém. Parece simples não? Sem dúvida que é, o problema está justamente em chegar até este ponto.

Algumas mulheres não pensam em sexo em nenhum momento do dia, não recorrem a fantasias eróticas, não falam abertamente (sinceramente) sobre sexo e nem se estimulam sexualmente, que dirá se masturbarem. E por que isto acontece? Muitas mães criaram suas filhas para não pensarem ou falarem sobre sexo, talvez por medo de serem consideradas pervertidas, mesmo que sentissem desejo deveriam simplesmente nega-lo, pois do contrário cairiam em desgraça.

Qual o resultado de uma criação repressora com esta? A mulher passou a ocupar uma posição passiva em relação ao exercício da sua sexualidade, deixando toda a responsabilidade do seu prazer nas mãos do outro. Como a mulher fazia para lidar com esta situação? Fingia, quando nada sentia, para agradar o outro. Será que isto mudou?

A mulher precisa se conscientizar que a mudança deve partir dela mesma, buscando em primeiro lugar se conhecer, explorar o seu próprio corpo, identificar como gosta de ser tocada, quais regiões dão prazer, pensar mais em sexo, enfim, se desenvolver do ponto de vista psicossexual para assegurar o seu próprio prazer, o seu orgasmo.

Mas o que é orgasmo? Esta é uma pergunta que boa parte das mulheres não sabe responder. Alguns filmes eróticos/pornográficos e até mesmo, algumas revistas dirigidas ao público feminino, prestam um desserviço às mulheres, pois associam ao momento do orgasmo uma série de comportamentos, como gritos e gemidos, que necessariamente não precisam existir, além de descrições fantasiosas, como ver estrelas e ouvir fogos de artifício.

Orgasmo pode ser descrito como um momento de intenso prazer seguido de uma sensação gostosa de alívio e de relaxamento. Quando termina a relação sexual, a mulher que não chegou ao orgasmo sente-se insatisfeita, irritada e estressada.

Podemos então perceber a importância do orgasmo na relação sexual. Porém, o orgasmo depende exclusivamente do desejo sexual – o tesão, e também da excitação – lubrificação, que são fases anteriores ao orgasmo, tão importantes quanto ele próprio.

Quando se fala das fases de resposta sexual, que são três – desejo, excitação e orgasmo, tem-se a impressão de estarmos nos referindo a estas fases numa relação sexual com penetração, mas é importante observar que mesmo em se tratando da masturbação, a mulher vivenciará estas fases, pois tem que existir desejo sexual, que poderá ser estimulado através de pensamentos ou fantasias eróticas, que deixarão a mulher excitada e por conta disso lubrificada, facilitando a manipulação do clitóris e outras áreas do corpo que lhe dão prazer, até que consiga chegar ao orgasmo.

Com isso, acreditamos que fica claro não existir diferença entre o orgasmo obtido pela estimulação do clitóris ou pela penetração. Não existem dois tipos de orgasmo: clitoriano ou vaginal. De 1960 para cá, através da grande contribuição que prestaram à sexualidade, Masters e Johnson conseguiram fazer cair por terra a teoria de Freud sobre a diferença entre o orgasmo clitoriano e vaginal, demonstrando que as sensações provocadas pelo clímax se iniciam no clitóris e terminam na vagina, com as contrações dos músculos vaginais.

Vale ressaltar, que por trás da valorização do orgasmo vaginal, tão comum entre homens e também entre mulheres, existe a crença de que a mulher deve ter orgasmo somente com a penetração do pênis, idéia que vincula o prazer feminino ao ato sexual e à dependência do homem como única condição de se obter prazer.

Em virtude dos fatos mencionados, podemos concluir que o orgasmo feminino é uma conquista da mulher, pois boa parte das pressões sócio-culturais e até mesmo morais que pairavam sobre o universo feminino, hoje estão bem mais diluídas e não representam mais uma ameaça à integridade física ou psicológica da mulher. A partir do momento que a mulher se sentir livre, sendo ela mesma e não mais representando qualquer papel – “mulher-direita”, “mulher-de-família”, ela passará a ser mais espontânea e a curtir de forma mais saudável a própria sexualidade.

 

Autor: Paulo Geraldo Tessarioli* 


 

*  Psicólogo, Especialista em Sexualidade Humana, Membro-Pesquisador do CEPCoS, Colunista da revista Mais Feliz e Sócio-Fundador da Vivendo Melhor Encontros & Relacionamentos – consultoria em qualidade de vida e saúde relacional – www.vivendomelhor.com.br. Cons:(11)6865-0605.
E-mail: paulogeraldo@vivendomelhor.com.br




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